Pro deserto do Sertãozinho, já!
Ah, quanta bugiganga! Eu numa tanga de dar dó.
Já masquei todos os cravos. Tô com a boca amarga
que nem jiló. Eu bem que podia ganhar na loteria,
a da contravenção tipo jogo do bicho. É, mas só jogo
na 'das frutas'. Quantas combinações dão? Tem um
matemático de plantão? Tem aí? Ah, tem um pequeno
detalhe: além da combinação (joguei na morango/pitanga),
pra ganhar, tem que se acertar a dezena do primeiro
prêmio da Loteria Federal.
Ô vida fubanga! Por onde andará a maluca Vanda... Faz
6 meses que ela foi pra Boiçucanga... Preciso sair
urgentemente de rolê. Aqui sou livre, sonho, mas não
me convidaram para o boi no rolete com chope zero grau
lá na fazenda californiana de Ribeirão Preto. Ô vida de
gado!, como diz o Zé Ramalho...
Mas num-é-qui-é?! Não tem data marcada meu funeral.
Ói lá o cara no caixote que nasceu nu, mas que de terno
e gravata faz a última viagem...eu não!... quero ser
enterrado nuzinho da silva, ao sol e som das ondas,
por um caiçara de pele pigmentada de picadas de mosquitos
e pernilongos.
Pelo menos lá na baixada não vão me prender por
vadiagem. Que bobagem! Esta vida de andejo é sacanagem!
Quanta pilantragem! Acho que sou igual ao 'pequeno
gafanhoto', Kwai Chang 'Caine' do David Corredine, só
que não sei lutar kung-fu. É. Pois é, ó! O mundo me parece
pequeno no mapa que carrego na mochila. Maior que o mundo
é o problema de eu encontrar a mim mesmo.
Vou indo. Pelo menos lá no Sertãozinho posso alçar voo
sem sair do chão. Lá sei que estarei só, mas sem essa de
solidão, meu! Ué? -- perguntam os consumidores de
shoppings e supermercados -- como vai alimentar-se
por lá? Ah, os miseráveis de lá não negam um prato
de comida -- respondo e fui!
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
o esse.
o esse.
morrerei no futuro
no presente que lá acontece
mas agora
de tanto viver
até de morrer
a gente se esquece
na hora
que o plural
meu dia envelhece com um "S"
morrerei no futuro
no presente que lá acontece
mas agora
de tanto viver
até de morrer
a gente se esquece
na hora
que o plural
meu dia envelhece com um "S"
pensamento.
pensamento.
pinto um quadro mental
em pinceladas na areia
mas não sou artista
de cometer atos
que a bela vida enfeia.
pinto um quadro mental
em pinceladas na areia
mas não sou artista
de cometer atos
que a bela vida enfeia.
um pensar entremeado por uns puns.
um pensar entremeado por uns puns.
a fumaça vem da chaminé
do escapamento dos autos
na cidade
onde se esconde meu quarto
poluído por um pum que soltei
pelo cigarro que acendi
sei não, ahn-ahn
(pausa prum pigarro)
esse negócio de poluição
acho mesmo um sarro
homem versus máquina
criador versus criatura
já nem sei
se se polui mais com o cu
ou muito mais com a mão
mas até a máquina cabeça
de pensar
fede pra cacete
"um cara inventou um bracelete
que inibe o peido e desintoxica o pulmão.
se a moda pegar vai ter passeata na são joão
contra a repressão a favor da despoluição
ecologicamente correta. será? "
nem precisa ser profeta
pra antever a ebulição
quem polui com gases venenosos
que fique com o cu na mão
"do meu quarto pra outros quartos
é este meu recado até os confins
biosféricos a capitalistas estratosféricos
que ainda vão extinguir toda civilização.
ponto final. tá vindo unzinho. quanto egoísmo
o meu..."
a fumaça vem da chaminé
do escapamento dos autos
na cidade
onde se esconde meu quarto
poluído por um pum que soltei
pelo cigarro que acendi
sei não, ahn-ahn
(pausa prum pigarro)
esse negócio de poluição
acho mesmo um sarro
homem versus máquina
criador versus criatura
já nem sei
se se polui mais com o cu
ou muito mais com a mão
mas até a máquina cabeça
de pensar
fede pra cacete
"um cara inventou um bracelete
que inibe o peido e desintoxica o pulmão.
se a moda pegar vai ter passeata na são joão
contra a repressão a favor da despoluição
ecologicamente correta. será? "
nem precisa ser profeta
pra antever a ebulição
quem polui com gases venenosos
que fique com o cu na mão
"do meu quarto pra outros quartos
é este meu recado até os confins
biosféricos a capitalistas estratosféricos
que ainda vão extinguir toda civilização.
ponto final. tá vindo unzinho. quanto egoísmo
o meu..."
DIFERENÇAS DE ESTILOS
DIFERENÇAS DE ESTILOS
UNS USAM O CONCRETO PRA FALAR DO IMAGINÁRIO;
OUTROS, O IMAGINÁRIO PRA FALAR DO CONCRETO.
UNS USAM O CONCRETO PRA FALAR DO IMAGINÁRIO;
OUTROS, O IMAGINÁRIO PRA FALAR DO CONCRETO.
classes.
classes.
de cócoras
do alto do morro
de favelópolis
mastigando chiclete
chupando um drops
o piá mira
o outro da urbecapital
que num dos prédios
como ele
desentende os porquês
dos nichos vivenciais,
entre eles há um muro invisível
de nortes infindáveis,
um dia
na rua
talvez até se cruzem
cara a cara
em desejos enclausurados
nos desvalores
do senso comum
que os levam a ver
sempre um degrau acima
da escala na escola
de classes ABC
na única lição vital a todos:
VIVER
a qualquer custo.
de cócoras
do alto do morro
de favelópolis
mastigando chiclete
chupando um drops
o piá mira
o outro da urbecapital
que num dos prédios
como ele
desentende os porquês
dos nichos vivenciais,
entre eles há um muro invisível
de nortes infindáveis,
um dia
na rua
talvez até se cruzem
cara a cara
em desejos enclausurados
nos desvalores
do senso comum
que os levam a ver
sempre um degrau acima
da escala na escola
de classes ABC
na única lição vital a todos:
VIVER
a qualquer custo.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
quadrinha
quadrinha.
da veia jorra sangue
da mina água
minha mágoa cobre o mangue
onde o mar pequeno nele deságua.
da veia jorra sangue
da mina água
minha mágoa cobre o mangue
onde o mar pequeno nele deságua.
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