PALAVRAS
Usando as palavras, digo ao poeta:
Com a pá, lavras
sobre pedras
palavras
num dia neutro
que não brotarão.
Lavras palavras
com a pá
sobre pedras?...
É tempo perdido.
Palavras são ingredientes
dum bolo sem receita,
sem fermento...
não dão liga.
Liga não, Poeta,
é assim mesmo.
Palavras são palavras.
Pá, é um objeto.
Lavras, é um verbo.
Use o objeto como verbo;
o verbo, como objeto,
que poeticamente
tá resolvida a questão. (?)
Sem palavras,
ele pegou sua pá e se foi.
Antes, porém, disse-me:
-- Ô Zé-ninguém:
às vezes lavras uma ideia legal.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
A NATUREZA DO LOBO
A NATUREZA DO LOBO
-- Que bundão! Que peitão!
Que pernão! Que corpão!
-- Que zoião, hein, Lobo mau!?
Agora no diminutivo:
-- Que bundinha! Que peitinho!
Que perninha! Que corpinho!
--Ô, Lobo Mau?
Teu desejo é maior que teu zoião!
Pensando bem, tu tens o olho maior
que a barriga.
Fim.
-- Que bundão! Que peitão!
Que pernão! Que corpão!
-- Que zoião, hein, Lobo mau!?
Agora no diminutivo:
-- Que bundinha! Que peitinho!
Que perninha! Que corpinho!
--Ô, Lobo Mau?
Teu desejo é maior que teu zoião!
Pensando bem, tu tens o olho maior
que a barriga.
Fim.
GRADE RAIL / RAILGRADE
GRADE RAIL
Se um dia
recostado na divisória
de idas e voltas
nesta pista sem limite
e o destino sombrio
ser-me só presságios
de ideias incineradas
na fornalha
de quereres em cinzas
e a ira sobrepor
a bondade resquicial em mim,
estarei observando
não inobservado...
viajarei a mil cidades
saltando as emboscadas
na velocidade da luz,
e se lesmando
meu corpo
inatingir o objetivo
em pensares fúteis
terei a dimensão exata
de quão inúteis
são meus sobressaltos emocionais
tão desiguais
tão inerciais
quanto meus olhos
ao ônibus de saltimbancos
à direita
a carreta do circo teatral
à esquerda...
e eu no meio
sério
tentado
sem talento
a qualquer função
pra fugir da situação
que a distância não resolve
apenas absorve minha indecisão
rodando nas faixas infindas
da rodovia a lugar nenhum
de um cão sem dono.
.......................
RAIL GRADE
If one day
lying on partition
round trips
no limit at this track
and the dark fate
me just be omens
ideas incinerated
the furnace
that you do want to ashes
and will overlap
resquicial goodness in me,
be watching
not unobserved ...
I will travel a thousand cities
skipping ambushes
the speed of light,
and slugs
my body
unattained goal
futile to think about
I have the exact dimension
how useless
are my emotional somersaults
as unequal
as frames
as my eyes
the bus acrobats
right
the theatrical trailer of the circus
left ...
and I mean
serious
tempted
untalented
any function
to get away from the situation
that the distance does not solve
only absorbs my indecision
running endless bands
the road to nowhere
a stray dog.
Se um dia
recostado na divisória
de idas e voltas
nesta pista sem limite
e o destino sombrio
ser-me só presságios
de ideias incineradas
na fornalha
de quereres em cinzas
e a ira sobrepor
a bondade resquicial em mim,
estarei observando
não inobservado...
viajarei a mil cidades
saltando as emboscadas
na velocidade da luz,
e se lesmando
meu corpo
inatingir o objetivo
em pensares fúteis
terei a dimensão exata
de quão inúteis
são meus sobressaltos emocionais
tão desiguais
tão inerciais
quanto meus olhos
ao ônibus de saltimbancos
à direita
a carreta do circo teatral
à esquerda...
e eu no meio
sério
tentado
sem talento
a qualquer função
pra fugir da situação
que a distância não resolve
apenas absorve minha indecisão
rodando nas faixas infindas
da rodovia a lugar nenhum
de um cão sem dono.
.......................
RAIL GRADE
If one day
lying on partition
round trips
no limit at this track
and the dark fate
me just be omens
ideas incinerated
the furnace
that you do want to ashes
and will overlap
resquicial goodness in me,
be watching
not unobserved ...
I will travel a thousand cities
skipping ambushes
the speed of light,
and slugs
my body
unattained goal
futile to think about
I have the exact dimension
how useless
are my emotional somersaults
as unequal
as frames
as my eyes
the bus acrobats
right
the theatrical trailer of the circus
left ...
and I mean
serious
tempted
untalented
any function
to get away from the situation
that the distance does not solve
only absorbs my indecision
running endless bands
the road to nowhere
a stray dog.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
O ILUSIONISTA
O ILUSIONISTA
ele atravessava paredes.
ele atravessava o fogo.
ele sumia frente aos espectadores.
ele deixava um container cair sobre sua cabeça.
etcétera.
e saia completamente ileso de tudo
um dia conheceu uma mulher de verdade
e foi iludido.
ele atravessava paredes.
ele atravessava o fogo.
ele sumia frente aos espectadores.
ele deixava um container cair sobre sua cabeça.
etcétera.
e saia completamente ileso de tudo
um dia conheceu uma mulher de verdade
e foi iludido.
A RUA POR QUE PASSO
A RUA POR QUE PASSO
VAGANDO, A RUA DA LIBERDADE ME SOCORRE
QUANDO NO DIA MINH'ALMA DESEJA PERDÃO,
EM TODA RUA, HÁ ALEGRIA, UM QUE MORRE
MAS NESTA... MILHARES BUSCAM SALVAÇÃO.
MÃOS TRÊMULAS, RISOS NADA ENGRAÇADOS
SEGURO MINHA VERDADE COM A INCERTEZA
EM PAZ RODEADO POR VIS CIVIS SOLDADOS
QUE VEEM A PUTA NUMA REDIMIDA TEREZA.
TODO DIA, AMIÚDE, BUSCO O QUE NÃO VEJO
E VIRANDO A ESQUINA APERTO OS PASSOS,
NO FORMIGUEIRO DESTA RUA NUA RASTEJO
VOLTO AO LAR PRESO EM MIL EMBARAÇOS,
DE ESPREITAR COMO CÃO SOCIAL ANDEJO
O ÍCONE HUMANO INSANO E SEUS TRAÇOS.
VAGANDO, A RUA DA LIBERDADE ME SOCORRE
QUANDO NO DIA MINH'ALMA DESEJA PERDÃO,
EM TODA RUA, HÁ ALEGRIA, UM QUE MORRE
MAS NESTA... MILHARES BUSCAM SALVAÇÃO.
MÃOS TRÊMULAS, RISOS NADA ENGRAÇADOS
SEGURO MINHA VERDADE COM A INCERTEZA
EM PAZ RODEADO POR VIS CIVIS SOLDADOS
QUE VEEM A PUTA NUMA REDIMIDA TEREZA.
TODO DIA, AMIÚDE, BUSCO O QUE NÃO VEJO
E VIRANDO A ESQUINA APERTO OS PASSOS,
NO FORMIGUEIRO DESTA RUA NUA RASTEJO
VOLTO AO LAR PRESO EM MIL EMBARAÇOS,
DE ESPREITAR COMO CÃO SOCIAL ANDEJO
O ÍCONE HUMANO INSANO E SEUS TRAÇOS.
Eu?
Eu?
, pernoito longe das estrelas artificiais.
Na verdade
, prefiro ser ninguém só.
E só
, não ter saudade.
Mas
quando estou lá
, de estar aqui sinto vontade.
Se um dia eu encontrar o amor
, lá na city de ilusões perdidas
, fugirei pra cá
num encontro comigo mesma
sob os veros pontinhos do firmamento
tão sós
, tão longe da infelicidade
das estrelinhas a rés do chão
que se apagam no dia
ao que sinto de verdade.
Eu?
Sou apenas um minúsculo corpo
vagante
no universo cabível em mim.
, pernoito longe das estrelas artificiais.
Na verdade
, prefiro ser ninguém só.
E só
, não ter saudade.
Mas
quando estou lá
, de estar aqui sinto vontade.
Se um dia eu encontrar o amor
, lá na city de ilusões perdidas
, fugirei pra cá
num encontro comigo mesma
sob os veros pontinhos do firmamento
tão sós
, tão longe da infelicidade
das estrelinhas a rés do chão
que se apagam no dia
ao que sinto de verdade.
Eu?
Sou apenas um minúsculo corpo
vagante
no universo cabível em mim.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
PRISÕES
PRISÕES
aqui onde estou os mosquitos me aborrecem
um cão geme o pão diário deitado no chão
a janela está fechada, meus cachos crescem
o lâmpada acesa, o céu relampeia em trovão.
aqui sou prisioneira, mulher sem perdão
o teto podre todo dia range pra desabar,
de minha sacola tiro o último teco de pão
um dia eu mesma precisarei me libertar.
nos olhos uma porta de aço faz-me lembrar
hoje eu gostaria de estar entre cavalheiros
hoje eu gostaria de ter minha paga e cantar
mas tudo é-me flores em jazidos canteiros.
gostaria de estar à beira dum rio imaginando
saudade daqui que dúbia teima em voltar,
um anjo amigo na esquina está me esperando
na face de meu homem eterno fora do lar.
minha casa já não casa, enfeia o fétido pombal
nela perco o medo, fecho a porta para o mundo
sou prisioneira da liberdade longe do súbito mau
entre insetos, um cão e um querer vagabundo.
aqui onde estou os mosquitos me aborrecem
um cão geme o pão diário deitado no chão
a janela está fechada, meus cachos crescem
o lâmpada acesa, o céu relampeia em trovão.
aqui sou prisioneira, mulher sem perdão
o teto podre todo dia range pra desabar,
de minha sacola tiro o último teco de pão
um dia eu mesma precisarei me libertar.
nos olhos uma porta de aço faz-me lembrar
hoje eu gostaria de estar entre cavalheiros
hoje eu gostaria de ter minha paga e cantar
mas tudo é-me flores em jazidos canteiros.
gostaria de estar à beira dum rio imaginando
saudade daqui que dúbia teima em voltar,
um anjo amigo na esquina está me esperando
na face de meu homem eterno fora do lar.
minha casa já não casa, enfeia o fétido pombal
nela perco o medo, fecho a porta para o mundo
sou prisioneira da liberdade longe do súbito mau
entre insetos, um cão e um querer vagabundo.
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